O pâncreas é composto por dois tipos de tecidos que se denominam endócrino e exócrino. A componente endócrina produz a insulina que regula o nível de açucar. O componente exócrino é responsável pela produção de enzimas que digerem as gorduras e proteínas. Assim, a insuficiência pancreática exócrina (IPE) desenvolve-se quando o pâncreas não produz enzimas digestivas suficientes, ficando comprometida a capacidade do organismo de assegurar uma eficaz digestão e absorção de nutrientes.1
Sim. Várias doenças do pâncreas podem levar a IPE. Entre elas destacam-se a pancreatite crónica e fibrose quística, causas reconhecidas de IPE, mas também doentes com pancreatite aguda, cancro do pâncreas e até mesmo doentes com diabetes.2,3
Para diagnosticar IPE existem essencialmente dois grupos de exames: os que analisam a função do pâncreas de forma directa e outros de forma indirecta. Os exames directos implicam a estimulação do pâncreas e a análise posterior do suco duodenal. Os exames indirectos avaliam as consequências da IPE e são mais fáceis de realizar. Estes últimos, consistem essencialmente no doseamento das enzimas pancreáticas no sangue e nas fezes, bem como o doseamento de gordura nas fezes.1-3
As principais consequências da IPE são a desnutrição, perda de peso e insuficiência de vitaminas. Assim, para evitar consequências graves resultantes de má absorção, o tratamento de reposição com enzimas pancreáticos está sempre indicado.1
É uma inflamação súbita do pâncreas causada pela ativação das enzimas pancreáticas, o que provoca a sua autodigestão, ou seja, há a destruição do próprio órgão. A maioria das pancreatites agudas tem boa evolução, no entanto numa pequena percentagem podem ser muito graves com risco de morte.1
As duas causas mais frequentes são a existência de cálculos (pedras) na vesícula e vias biliares e o consumo excessivo de álcool. Outras causas menos frequentes são: infecções, cálcio aumentado no sangue, triglicéridos elevados, efeito secundário de medicamentos, após cirurgia ou traumatismos abdominais e cancro do pâncreas.1
Nos casos de pancreatite mais grave não é só o normal funcionamento do pâncreas que fica afectado. De facto, a inflamação que é desencadeada pode atingir outros órgãos nomeadamente o coração (Hipotensão e falência cardíaca), o rim (Insuficiência Renal) e o pulmão (Insuficiência Respiratória).1
O sintoma principal da pancreatite aguda é a dor intensa na região superior do abdómen e que pode irradiar para o dorso ( costas). Outros sintomas que podem ocorrer são:
Existem alguns testes que nos ajudam a diagnosticar a pancreatite aguda. Habitualmente, estes incluem análises ao sangue que mostram aumento das enzimas do pâncreas, junto com uma ecografia abdominal ou TAC/RMN.1
O tratamento depende da gravidade da pancreatite, mas geralmente é necessário um período de hospitalização. As primeiras atitudes consistem em colocar o pâncreas em “repouso” com jejum e soros endovenosos e medicamentos para a dor. Após esta fase, tratar-se-á da causa que provocou a pancreatite: por exemplo, se foi por pedras da vesícula dever-se-á programar a sua remoção (colecistectomia), se foi alcoólica o Doente deverá fazer abstinência total.1
Diz-se que a pancreatite é crónica quando existe inflamação contínua do pâncreas. A pancreatite crónica leva à destruição progressiva deste órgão, com perda das suas funções principais na digestão e na absorção de alimentos (insuficiência pancreática exócrina), bem como a incapacidade de produzir insulina (insuficiência pancreática endócrina), o que pode levar ao surgimento de diabetes.1
Em mais de 70% dos casos, a causa está associada à ingestão de be¬bidas alcoólicas em excesso. Outras causas menos frequentes são alterações genéticas que tornam o pâncreas mais vulnerável a esta doença, predisposição hereditária, doenças metabólicas e auto-imunes. Nas crianças, a causa mais frequente é a fibrose quística, que surge devido a alterações genéticas.1
Os sintomas variam de pessoa para pessoa e relacionam-se com a gravidade da doença. No entanto, o sintoma principal é a dor abdominal.1
Os sintomas mais comuns agrupam-se em três elementos-chave:1
Se o Médico, com base nas queixas do Doente, suspeita de pancreatite crónica, pode usar uma combinação de análises laboratoriais e outros exames complementares para confirmar o diagnóstico. Assim, pode ser pedido o doseamento das enzimas pancreáticas no sangue e outros testes que comprovem a insuficiência pancreática. Os outros exames geralmente solicitados, que ajudam ao diagnóstico são a radiografia ao abdómen, ecografia, TAC, a RMN e a ecoendoscopia.1
O tratamento da pancreatite crónica é especificamente ajustado pelo Médico a cada Doente, consoante a sua condição clínica e as manifestações que a doença apresenta.1
Comum a todos os doentes é a necessidade de abstinência total do álcool, uma vez que este perpetua o processo inflamatório e acelera a evolução da doença. Da mesma forma que o álcool, o tabaco provoca inflamação contínua do pâncreas, sendo que o seu abandono é extremamente importante para evitar a progressão da doença.1
São também recomendadas as refeições mais ligeiras e mais frequentes para melhorar os sintomas digestivos.1
Para colmatar a insuficiência enzimática, é feita suplementação oral de enzimas pancreáticas e, por vezes, de vitaminas. Alguns Doentes desenvolvem malnutrição e nestes casos é necessária uma dieta rica em proteínas e calorias.1
O controlo da dor é muito importante e geralmente são utilizadas várias classes de analgésicos, devendo estes ser adaptados ao tipo e intensidade da dor.1
O controlo glicémico na diabetes é obtido através de medicação oral de antidiabéticos ou administração de insulina.1
É um tumor maligno localizado no pâncreas, existindo vários tipos, sendo o mais frequente o adenocarcinoma.1
Alguns factores identificados que aumentam o risco de desenvolver cancro do pâncreas são:2
Se o Médico suspeita de cancro do pâncreas, pode solicitar alguns exames tais como a ecografia, a TAC ou RMN e a ecoendoscopia (aparelho de endoscopia que permite efectuar uma ecografia no interior do abdómen e observar com detalhe o pâncreas, permitindo também colher biópsias).1
O tratamento do cancro do pâncreas é planeado atendendo à idade e estado geral do Doente, na localização e extensão do tumor e no tipo de cancro (estadiamento).
Existem várias opções de tratamento que incluem a cirurgia para remover o tumor, a quimioterapia e a radioterapia.1
Com o intuito de promover um maior esclarecimento acerca de um dos órgãos essenciais à nossa saúde e bem-estar, o Clube Português do Pâncreas lançou a campanha “Destino Pâncreas”.
O objetivo principal desta campanha é colmatar a atual falta de informação e conhecimento por parte da população relativamente a diversos aspetos respeitantes ao pâncreas, tanto ao nível da sua função e integração no sistema gástrico como também das patologias mais comuns a ele associadas através da identificação de potenciais sintomas de alerta.
A consciencialização e sensibilização face ao pâncreas é, aliás, o ponto fulcral de toda esta iniciativa, de maneira a promover o incremento dos casos de diagnósticos médicos corretos e consequente adoção do tratamento correspondente, prevenindo desta forma um eventual agravamento do estado de saúde geral e potenciando a melhoria da qualidade de vida da população.
É por isso que esta é uma viagem que aconselhamos todos os portugueses a fazer, porque pode sem dúvida mudar para melhor, o rumo das suas vidas.
Temos lugar para si.